© 2023 by Funky Band. Proudly made by Wix.com

UM XAMÃ FUSION

Escrito por rogermarzochi em sexta-feira, 25/08/2017

Site: http://www.entresons.com.br/?p=2724

 

João Taubkin prepara o lançamento de vídeos nas redes sociais em setembro e estuda projeto de música e dança

Roger Marzochi, do entresons; crédito da foto de Antonio Brasiliano

“Olha embaixo da sua cama!” João Taubkin, então com 14 anos, correu para o quarto, esperando encontrar um pedal de guitarra overdrive, que havia pedido de presente para o pai, o pianista Benjamim Taubkin, que viajara para um show nos Estados Unidos. Mas, para sua decepção, o que lá estava era um baixolão, um contrabaixo acústico, parecido com um violão. “Não foi amor à primeira vista”, diz o músico. Presentes inesperados como esse mudaram a vida do garoto para sempre. Hoje, compositor e baixista consagrado, João aprendeu a surpreender seu público, que poderá ver em setembro vídeos inéditos do artista nas redes sociais. O CD, enquanto objetivo máximo de um músico, já é coisa do passado na era digital. A produção de seus próprios projetos e a realização de shows, com muitos parceiros, transformou a vida do baixista em uma aventura frenética, com projetos sobre a confluência entre a música e a dança e a retomada de um som hipnótico que fizera em trio, e que agora terá nova formação em quarteto.

O centro gravitacional do músico é a consciência da existência de uma energia que interliga a todos. Ele acredita numa inteligência superior, mas seu Deus não tem a barba pintada por Michelangelo. “Minha religião, de certa forma, é a música. Mas não gosto daquele papinho – sabe o que quero dizer- em excesso. Não aguento. Eu acredito no mistério. Tem muita coisa que não vemos e está rolando.” Segundo ele, a música é como uma espada de luz em tempos sombrios. Não é à toa que o CD “Tribo”, lançado em 2013, tenha criado uma nova linguagem. João, Bruno Tessele (bateria) e Zeca Loureiro (guitarra) mergulharam na fusão de rock, jazz e música africana em nove composições do contrabaixista, que diz ter trilhado o caminho da música após ter ouvido dois discos: “Houses of the Holy” (1973), de Led Zeppelin, e “Milton” (1970), de Milton Nascimento. João faz vocalizes que mais se assemelham a um vocabulário estrangeiro. E chega a cantar em tupi-guarani em “Belo Monte”, numa letra na qual o índio diz ao homem branco para respeitar a sua terra. Tudo isso traz ao trabalho o tom que ele considera “xamânico”. “Toco, canto, com uma intenção profunda. Como um monge, um xamã”, diz.

De acordo com Gilbert Rouget, no livro “Music And Trance: A theory of the Relations between Music and Possession” (1985), a palavra xamã foi emprestada do povo Tungus, da Sibéria, em escritos etnográficos durante o século XVII. A expressão se referente a práticas religiosas variadas, com características comuns que englobam não apenas regiões do Sudeste da Ásia e Melanésia, mas toda a América. “O transe do xamã é considerado como uma viagem na companhia dos espíritos que ele incorpora. A alma do xamã deixa o seu corpo e viaja para regiões invisíveis com o objetivo de encontrar os mortos ou espíritos, e sua viagem faz tanto uma ‘ascensão aos céus’ ou ‘descendente ao inferno’,” escreve Rouget. O xamã é aquele que toca e canta, por isso essa viagem está relacionada aos toques de tambor e cânticos. Em toda a cultura relacionada ao xamã a palavra “viagem” é extremamente usada. Não seria João um xamã urbano? De novos ritos, o rito da música contemporânea? “Eu levo a sério (a música). Quero ser músico que passe coisas para as pessoas realmente, tem esse desejo. Não é só tocar. Quando estou tocando, vai ver que sou muito fechado. Estou muito naquele lugar, não me disperso. Sinto-me muito concentrado, como um padre meditando. É a mesma coisa. Eu entro naquela nave.”

“Tribo” também traz curiosidades sobre a forma de composição de João, que diz não precisar de inspiração. “2012”, a música que abre “Tribo”, foi composta praticamente de forma simultânea com a última, “Camelot”. “Eu estava na sala fazendo uma, e fui para o quarto fazer a outra. Uma não tem nada a ver com a outra. É uma viagem!” Mais uma pista sobre o “xamã fusion”: a viagem! É com essa atmosfera que o compositor voltará a trabalhar, agora na companhia dos músicos Sérgio Reze (bateria), Rodrigo Bragança (guitarra) e Zé Godoy (piano). Em setembro, vídeos dessa parceria devem ser lançados. Mas, no início do mês, João lançará uma gravação solo de “Pai Grande”, de Milton Nascimento, e uma outra música autoral cujo nome ele prefere não revelar. “Pai Grande” é para o compositor um divisor de águas: é a primeira vez que ele grava uma música cantando, sem vocalizes. E o resultado foi sentido muito forte pelo músico e sua família. “Pai Grande” ainda estava no disco “Milton”, que João ouviu numa viagem em uma fazenda em Minas Gerais, aos 12 ou 13 anos, que o incentivou a ser músico.

João Taubkin lançará em setembro um vídeo cantando “Pai Grande”, de Milton Nascimento, uma grande inspiração para o contrabaixista e compositor (Crédito da foto: Vanessa Carvalho)

Esses dois vídeos foram gravados na Red Bull Station, no centro de São Paulo, e contou com o engenheiro de som Rodrigo Funai, sobrinho de Elis Regina. “É muito forte cantar ‘Pai Grande’. Milton compôs todas as músicas para a Elis. E, de repente, o sobrinho dela está do lado, mixando”, conta o músico, que já tocou com Bituca e com grandes mestres, de Gigante Brazil a Paulo Moura. O ano de 2017, aliás, já havia começado em ritmo frenético. O músico participou, com Theo de Barros e Renato Braz, do trabalho “Tatanaguê” e lançou, ao lado do pai e do percussionista israelense Itamar Doari, o CD “O pequeno milagre de cada dia”. Sem contar, ainda, o duo que formou com a cantora moçambicana Lenna Bahule e sua participação no grupo Clareira, que tem entre seus membros o cantor Sapopemba. “Meu pai fala que ele é a Clementina de Jesus com calça. Ele é uma verdadeira entidade.”

Irriquieto, coisa que aprendeu também com o pai, João tem se reunido constantemente com o bailarino Rubens Oliveira, com a intenção de unir seu som à dança. Para ele, o lançamento de um disco para depois iniciar shows do álbum é uma forma de trabalhar, mas as novas tecnologias e o mercado da música fazem com que o artista tenha que reiventar o seu modo de atuação. “Acho que é preciso produzir. Eu fui sacando e observando o meu pai. É muito gostoso trocar conhecimento e unir forças. Eu fiz essas coisas só na base da humildade e da verdade. Eu sempre questionei muito o crowdfunding. Falta a galera se mexer um pouco. É preciso encontrar as pessoas, apresentar qual é a real. Eu vou fazendo, vou tocando.”

[LIVE REVIEW] FESTIVAL DISTRITOFÓNICO: JOÃO TAUBKIN TRIO

Escrito por Francisco Javier Rodriguez

26/10/2014 

site: http://www.theholyfilament.cl/

El Festival Distritofónico es una instancia en la cual los amigos colombianos han estado explotando el acercamiento de la música enraizada en su tierra, hacia su propio pueblo y los demás países de la región, con el propósito de difundir la música que se origina a través de la interacción de artistas que apuntan -conscientes o no- a horizontes inexplorados. Ya en su cuarta versión, el Festival ha visto participaciones de compositores y bandas locales, las cuales con sus obras y en complicidad de su hermoso público han forjado de manera natural el sendero que ha cruzado la exquisita cultura sudamericana y ha dado pie a la inclusión de músicos angloparlantes como un nuevo foco de interés en la misma misión de entregar música fresca con guiños a lo no convencional. Dentro de esta expansión, La gente de La Distritofónica merecidamente puede enorgullecerse al contar su reciente -pero muy condimentada historia- en párrafos que citan a gente como Marc Ribot, Peter Evans, John Medeski, Erik Friedlander, Jamie Saft, entre otros.

En un cartel de lujo anunciado para la edición 2014, decidimos no quedarnos fuera de esta gran cita y nos fuimos a Bogotá donde pudimos disfrutar de los conciertos de João Taubkin Trio, Bituin, Sofia Rei Trio, Chirimia del Rio Napi, y Jamie Saft Trio.

 

João Taubkin Trio

 

Pasadas las 18:00 horas en el Auditorio Luis Carlos Galán de la Universidad Javierana, el bajista brasilero João Taubkin aparece en escena junto a sus compañeros Bruno Tessele (batería) y Zeca Loureiro (guitarra eléctrica) para dar inicio a la variada parrilla agendada por Distritofónico para aquel Viernes. Música renovada y plagada de influencias es la que el trío ofreció en su fusión de rock, jazz y música negra.

Piezas de su álbum debut Tribo (2012), fueron las que dieron el inicio de una velada que brilló por el buen sonido, la intimidad del recinto, y la grata energía irradiada por los paulistas. La personalidad del sonido de las cuerdas del bajo electroacústico de Taubkin fueron en todo momento el perfecto cimiento para la construcción de escenas imaginarias, las que fueron relatadas en el lenguaje de la música compuesta no sólo para instrumentos sino que también para los juegos vocales (sin lírica) que mostró el brasileño, por ejemplo en la carismática y rítmica Boas Noticias o dentro de la poderosa pieza funk/rock/jazz Punto de Mutacao.

Por su parte, y en tras correr sólo un par de interpretaciones, el espigado baterista Bruno Tessele dio pauta de lo que seríamos testigos en el concierto: un tipo inspirado y capaz de abrazar una amalgama exquisita de ritmos. Utilizando los recursos propios de los estilos presentes en la música del trío, Tessele también se dio espacio para acariciar y percutir con sus manos en un espacio que a todas luces lo mantuvo en su habitat cómodamente.

Con esa base rítmica de lujo presentada por el bajo y la batería, las condiciones se volvieron óptimas como para que la guitarra de Zeca Loureiro brillara con cada una de sus intervenciones. La dulzura y lucidez de la ejecución del guitarrista destacó sin la necesidad de mostrar protagonismo escénico. Un crack que demostró su experiencia y talento a lo largo de los 75 minutos en que estuvo tocando para el público.

João Taubkin hizo mención a sus músicos en las intervenciones entre un tema y otro… “Todo lo que estamos tocando hoy corresponden a composiciones mías. Éstas las traigo a los ensayos, y con los aportes de Bruno y Zeca terminamos dando forma a las canciones, por lo tanto, pasan a ser de ellos también“. Con aquellos créditos, las piezas instrumentales sin duda marcaron puntos altos en la presentación de los brasileños.

Fuera de sus composiciones para el Trio, Taubkin también trajo consigo música que solía interpretar antes de su más reciente proyecto, lo cual se vio reflejado en al menos un par de canciones con mucho tinte africano. Entre otras sorpresas que se mostraron en el auditorio, fue la invitación al escenario a Antonio Arnedo, quien con su saxo no sólo se dio el tiempo de interpretar y dar algunos guiños de lo que será un nuevo lanzamiento por parte de Taubkin, sino que además fue parte del encore en donde los cuatro músicos en escena dieron rienda suelta a sus emociones en un lindo momento que selló el impecable paso de los brasileños por el Distritofónico.